O papel dos pais no intercâmbio do adolescente é fundamental: no momento da decisão, durante o programa e após o retorno do jovem. Por meio da postura positiva dos pais, os adolescentes sentem-se mais confiantes e encorajados a viver o intercâmbio cultural, que envolve ainda a família hospedeira que recebe o intercambista.
OS PAIS – quem fica
Por vezes, os pais não se sentem confortáveis e seguros com a ideia de deixarem o filho partir para viver por um tempo com uma nova família, longe do seu “controle”. Essa realmente não é uma decisão fácil!
Recentemente conheci uma mãe que ao saber sobre o meu trabalho, me disse: “Ah Karen, como eu precisava ter te encontrado antes!”. Ela tem uma filha e não permitiu, na época que sua filha era adolescente, que ela participasse de um programa de intercâmbio (embora a adolescente quisesse muito) por receio, insegurança e medo. Hoje diz se arrepender por não ter se permitido proporcionar essa vivência a filha.
Uma das chaves para que o adolescente abra as portas para novas experiências está justamente na confiança dos pais. Confiança em todos os valores ensinados, no estímulo e suporte ao crescimento, amadurecimento e autonomia.
Longe da proteção, facilidades e dos recursos prontos que os pais oferecem aos adolescentes diariamente (traço muito presente na cultura brasileira) eles terão que desenvolver recursos internos e novas habilidades para lidar com as mais simples tarefas do dia a dia – arrumar o quarto, auxiliar na limpeza da casa, ajudar a cuidar do irmãzinho mais novo – até gerenciar eventuais conflitos, que podem ser culturais, junto a família hospedeira.
Como tornar a decisão e preparação para o intercâmbio mais fácil?
* Diálogo – conversas entre pais e filhos sobre essa experiência, entender o desejo do jovem e sua expectativa sobre o intercâmbio auxiliam no processo.
* Pesquisar – destinos que o jovem mais se identifica, agências de intercâmbio, pessoas que já passaram por esta experiência contribuem para ter mais segurança na decisão.
* Incentivar atividades para autonomia e desenvolvimento – arrumar a cama, lavar a louça, administrar seu dinheiro e ter disciplina com horários e compromissos são algumas tarefas que facilitarão a vivência no exterior.
* Orientação e Treinamento intercultural – investir na preparação psicológica e cultural para os pais e filhos, com o objetivo de uma integração saudável e bem sucedida.
Ainda que um dos objetivos do intercâmbio seja desenvolver o senso de autonomia e maturidade do adolescente, sempre haverá o suporte da agência no Brasil, da escola, do programa no exterior, enfim, todos dispostos a auxiliar pais e estudantes.
A FAMÍLIA HOSPEDEIRA – Quem recebe
Tradicionalmente os adolescentes, principalmente de programas de High School são acomodados junto a uma família que se prontifica para receber aestudantes, chamadas de famílias hospedeiras, família adotiva ou família anfitriã.
A família que recebe o intercambista é parte importante da experiência, afinal a convivência será longa e diária. Podem surgir dúvidas sobre “como é viver com uma família estrangeira?”, “será que eles vão gostar de mim?”, “será que eu vou gostar deles?”.
Ao fazer estes questionamentos é importante que o estudante pense como ele agirá junto a família hospedeira. Seu papel será de um mero hóspede ou de alguém que deseja fazer parte da família que está cedendo o seu lar e abrindo as portas para acolhê-lo?
Desta forma, buscar integração e comunicação clara com a família são pontos chaves no intercâmbio. Auxiliar nas atividades domésticas, conversar com a família sobre rotina e regras da casa, respeitar as normas, estar presente e ser companheiro da família tornarão a convivência e a experiência muito mais proveitosa para todos.
Com tudo isso pais, permitam (internamente também) e estimulem que seus filhos voem, ganhem novos horizontes, saiam de sua zona de conforto e se tornem um cidadão do mundo com uma bagagem repleta de conquistas e aprendizados. O resultado certamente será gratificante.
Este artigo é a continuidade do texto INTERCÂMBIO NA ADOLESCÊNCIA – O estudante