Morar, estudar ou trabalhar no exterior é um sonho para muitas pessoas. Prestes a embarcar, grandes são as expectativas para essa experiência. Nesse período estudantes e profissionais são tomados por uma sensação agradável que um lugar novo pode proporcionar. Tudo, por vezes, parece mágico e maravilhoso.

Entretanto, após um período, logo a vida no exterior começa a parecer “vida real”. Com as dificuldades e desafios reais do dia a dia percebe-se que a realidade nem sempre é da maneira planejada e sonhada.

A mudança para um novo contexto cultural pode gerar desconforto e estranhamento.
A imersão em uma nova cultura não acontece de forma linear e constante (assim como a vida!), por isso é bastante comum que, ao longo da experiência intercultural, em maior ou menor dose, as pessoas experimentem altos e baixos.

Assim como um volta em uma montanha russa, quando vivemos no exterior, experimentamos medo, receio, frio na barriga, ansiedade e expectativas. Sabemos que virão subidas e descidas e momentos inesperados.

Nesse processo de altos e baixos existem algumas fases mais comuns. De uma maneira simplificada, podemos caracterizar as fases como:

– Lua de Mel

Entusiasmo, empolgação e alta motivação são alguns dos sentimentos vivenciados pouco antes do embarque e até o início do período no exterior. Pesquisas sobre o país, despedidas dos familiares, amigos e malas arrumadas com muitas expectativas! Ainda, mesmo após a chegada esses sentimentos podem permanecer durante algum tempo. Como um turista, nessa fase é comum o encantamento com o novo país, fruto de um envolvimento superficial com a nova cultura.

-Choque cultural

Ainda que tudo esteja indo muito bem, logo surgem situações que evidenciam as diferenças culturais. O choque cultural é fruto de como percebemos e sentimos as diferentes formas de comportamentos, pensamentos, atitudes entre a cultura nativa e o novo ambiente.

Sentimentos e emoções de desconforto, irritabilidade, agressividade, incerteza, desanimo, ansiedade, frustração, saudade profunda podem ser vivenciados por quem está nessa fase. Fisicamente o corpo também sente. Cansaço, sono ou insônia, fadiga, são sensações comuns.

É a sensação de um peixe fora d’agua.

Embora um termo muito utilizado seja o choque cultural essa fase resulta da soma de fatores estressantes que são causados pela vivência em uma nova cultura.
Esta é frequentemente a parte mais difícil do processo de adaptação em uma novo país.
Mas embora seja desconfortável esse processo não é totalmente negativo. A adaptação, a partir das diferenças e dificuldades, carrega oportunidades de crescimento e desenvolvimento.

– Adaptação

Felizmente, o choque cultural é previsível e passageiro. É importante estar consciente, preparado e agir de maneira ativa para superá-la positivamente.
Após a fase do choque cultural, as pessoas começam a entender e assimilar as diferenças culturais. A nova cultura passa a integrar seu repertório de comportamentos e atitudes. Adaptados, estudantes e profissionais sentem-se mais conectados à cultura local, surgem os relacionamentos, amizades e as pessoas se sentem mais confiantes e confortáveis. Não é incomum que prefiram alguns aspectos da nova cultura à sua cultura anterior.

Fases da Adaptação Cultural

Estas “fases” são uma amostra dos altos e baixos potenciais que a vivência no exterior proporciona. Isso não significa que todos vão passar exatamente por esse ciclo pois depende do tempo de vivência no exterior e sobretudo de cada um. Ter o conhecimento, e saber identificar e reconhecer os altos e baixos naturais torna o processo de adaptação a nova cultura mais rápido, com mais sentido e aprendizados.

Como já dissemos aqui  ir e vir são parte da mesma experiência, então por vezes esses mesmos altos e baixos, desafios, adaptações são vividos no pré retorno e após o retorno ao Brasil.

A experiência no exterior é uma vivência incrível sim, que pode proporcionar inúmeros benefícios. Entretanto, nem tudo no intercâmbio são flores. É preciso estar consciente dos altos e baixos que podem ser vivenciados. As “descidas” vividas nesse período são importantes. É através delas que aprendemos, nos adaptamos e nos preparamos para situações futuras também.

Você já viveu altos e baixos durante a sua vivência no exterior? E você futuro cidadão do mundo, está pronto para encarar essa montanha russa?